“Janeiro Seco”: Desafio de 31 dias sem álcool ganha força e promete “detox” para a saúde mental
Movimento global propõe começar o ano com abstinência total de bebidas alcoólicas. Especialistas apontam os benefícios.
Após as festas de fim de ano, marcadas por excessos gastronômicos e brindes, uma tendência mundial vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil: o Janeiro Seco (ou Dry January). A proposta é simples, mas poderosa: ficar os 31 dias de janeiro sem consumir nenhuma gota de álcool.
Embora a melhora física — como a redução da pressão arterial e o desinchaço — seja o benefício mais visível, novas pesquisas indicam que o maior ganho pode ser invisível: uma mudança profunda na saúde mental e no equilíbrio emocional.
Mais clareza, menos ansiedade
Segundo dados divulgados por apoiadores da campanha, quem consegue completar o mês de abstinência relata uma “virada de chave” no bem-estar psicológico. Os relatos frequentes incluem:
- Melhora significativa no humor;
- Maior clareza mental e foco;
- Aumento da energia durante o dia;
- Redução drástica de sintomas ansiosos.
Essa melhora ocorre porque o álcool, apesar de parecer relaxante no momento do consumo, é uma substância depressora do sistema nervoso central, o que pode gerar “rebotes” de ansiedade e irritabilidade nos dias seguintes.
O Alerta da Ciência
A importância do Janeiro Seco é reforçada por dados científicos robustos. Uma meta-análise publicada recentemente em uma das revistas da Associação Médica Americana, compilando dados de mais de 100 países, trouxe um alerta sério: o consumo elevado de álcool está diretamente associado ao aumento dos índices de depressão, comportamentos de autoagressão e risco de suicídio.
Nesse contexto, a campanha serve como uma ferramenta preventiva e de conscientização, convidando as pessoas a reavaliarem sua relação com a bebida.
Muito além do “Detox”
Para especialistas em saúde mental, como o psicólogo Filipe Colombini, o Janeiro Seco não deve ser encarado apenas como um desafio de resistência pós-festas, mas como uma oportunidade estratégica de autoconhecimento.
A pausa de 30 dias permite que o indivíduo observe seus próprios gatilhos: “Eu bebo porque estou feliz ou para aliviar o estresse do trabalho?”. Quebrar o ciclo do hábito permite uma reflexão sobre emoções e padrões de comportamento que, muitas vezes, passam despercebidos na rotina.

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